Série Passo a Passo de Atendimento com Exelência 6º Passo - Acompanhamento e Retorno

Acompanhamento e Retorno: 6º Passo

Série Passo a Passo de um atendimento Nutricional de Excelência:

Passo 6 – O que fazer nos Acompanhamento e Retorno

 

Um assunto que gera muitas dúvidas é sobre Acompanhamento e Retorno.

O que fazer a partir do retorno ou segunda consulta? Incluir ou não no preço da primeira consulta? Quanto tempo dura? O que abordar? Vamos falar sobre isso?

Neste episódio eu vou te falar sobre o acompanhamento que inclui o retorno da primeira consulta até a alta nutricional. Eu separei o conteúdo por tópicos para te ajudar na compreensão.

 

Periodicidade: de quanto em quanto tempo fazer Acompanhamento e Retorno?

 

Bom isso depende muito do objetivo, do nicho de atendimento e do bolso do paciente.

Na minha experiência, ao menos no início, eu preferi atendimento quinzenal, mas já atendi pacientes com frequência semanal e pacientes de fora da cidade, trimestral.

Depende muito do perfil dos pacientes, há aqueles que precisam mais do seu apoio, do seu suporte mais constante, aqueles que precisam pesar, voltar ao consultório para assim, se manter na linha.

Há também aquele tipo de perfil o qual o paciente recebe as orientações, ele implementa e não depende tanto do Acompanhamento e Retorno presencial.

Porém reduzir o tempo entre uma consulta e outra, é uma excelente estratégia para favorecer a adesão ao tratamento, principalmente a esses pacientes que precisam de um atendimento mais frequente.

 

Como cobrar?

 

A cobrança pode ser feita por uma consulta que inclui retorno ou por programa de tratamento.

Quando o retorno está incluso na consulta tem dois lados. Primeiro que sim, ele acaba favorecendo o retorno da consulta e o outro lado é que,  quando o retorno não é pago,  pode diminuir a percepção de valor da consulta e atenuar o nível de motivação tanto do nutricionista quanto dos pacientes.

E quando o retorno é pago, tanto o nível de motivação do profissional, quanto a percepção de valor do  paciente aumentam.

Por muitos anos eu inclui o retorno na consulta e nos últimos três anos eu comecei a cobrá-lo.

E aí acaba que não chamamos mais de retorno, ele poderia ser chamado de uma nova consulta, talvez, não com o mesmo valor.

Nesse caso o paciente vai precisar ter uma organização financeira e talvez isso diminua as idas ao consultório, porque ele sabe que cada vez que ele for, vai ter que pagar.

Mas o fato é que seu conhecimento, a sua presença, a sua dedicação, ela é tão importante no retorno quanto na primeira consulta.

 

O que trabalhar em cada consulta?

 

Sobre isso, eu particularmente gosto muito e faz mais sentido pra mim, fazer programas personalizados de tratamento. Eu acredito que essa é uma das melhores formas para evitar que o paciente “fuja” do consultório.

A ideia desse tipo de programa não é vender mais consultas, tipo aquele modelo onde você vende um pacote de consultas com um valor mais negociável.

Na verdade, esse é um programa personalizado de transformação.

Nele, conforme a necessidade do paciente, vai ter um número x de consultas e retornos, assim como outros bônus, que podem ser:

  • O acompanhamento no supermercado ou uma visita;
  • O apoio durante o tratamento pelo WhatsApp;
  • Se você for nutricionista com formação em coach, talvez um processo de coaching na mudança de hábito alimentar.
  • Uma aula de culinária;
  • Encontros em grupo de mudança de comportamento alimentar, etc.

Aqui, quando eu falo personalizado é de acordo com seu nicho de atendimento.

Pode ter por exemplo, se atende gestantes e tentantes, montar um programa de tratamento para cada um dos públicos.

Também pode ser de acordo com a transformação, pode ser de longevidade e qualidade de vida, um programa de emagrecimento, relacionado a mudança de comportamento alimentar, só cuide para que esse programa não seja muito vago, ele tem que ser específico.

Específico com o objetivo do seu paciente ou as principais dores que envolvem seu nicho.  Por exemplo, “programa de nutrição estética”, não fica muito claro o que vai ser resolvido, então quanto mais específico for, melhor é.

 

O paciente sabe o que é Acompanhamento e Retorno?

 

Um ponto muito importante é o paciente compreender o que é o retorno. Ele precisa entender que não é apenas pesar, medir, ver os resultados e levar puxão de orelha ou estrelinhas.

Ele deve saber que o retorno é parte de um processo, que vai leva-lo do ponto A ao ponto B. É uma jornada onde você nutricionista é o facilitador.

Por isso é muito importante o paciente saber que muito será trabalhado durante o retorno, só que as vezes nem mesmo o nutricionista sabe o que ele trabalhar durante esses.

Bom eu sei disso, porque muito nutris me falam “Ana, as vezes eu fico sem ideia, o que eu vou trabalhar em cada retorno?”

Tem muitas coisas que podem ser feitas e vou te mostrar algumas delas.

 

  1. Verificação da evolução positiva desde a primeira consulta;
  2. Perguntas sobre a adesão ao tratamento, como ele se adaptou aquele de tratamento;
  3. Checklist dos sinais e sintomas comparando-os com os da primeira consulta presentes no panorama do paciente.
  4. Periodização do tratamento;
  5. Interpretação dos exames solicitados;
  6. Avaliação antropométrica;
  7. Ajuste a suplementação se necessária. Aqui de acordo com a nova legislação, deve-se registrar tiver havido algum efeito adverso, e se sim, notificar a farmácia de manipulação ou a indústria de suplementos;
  8. Ajuste do plano conforme os resultados e as dificuldades do paciente;
  9. Quebra de objeções relacionadas às dificuldades – apresentação da solução;
  10. Avaliação comportamental se necessário (emoção relacionada a comida, mastigação);
  11. Apresentação do mapa de resultados;
  12. Desafio novo, por exemplo: meta, receita, solução para a objeção informada;
  13. Terminar sempre com aquela pitada de motivação;

 

E quando o paciente ganha alta?

 

Eu particularmente não acredito na alta definitiva. Muitos dos meus pacientes ganharam alta e continuaram voltando pelo menos a cada seis meses ou um ano,  principalmente quando era o caso de doenças crônicas, que é o caso da obesidade. Afinal, não existe um ex-obeso, e sim, um obeso em remissão.

Às vezes eu vejo nutricionistas com uma expectativa muito grande sobre a alta nutricional, querem que o paciente fique até final, como se a alta fosse um atributo do sucesso do tratamento.

Eu não vejo dessa forma. Não importa se o paciente ficou até o final do tratamento, o que importa foi a transformação que ele teve.

Lembrando que nós nutricionistas somos facilitadores dessa transformação, podemos ser influência positiva para a mudança, mas não cabe a nós a mudança.

Aceite que seu paciente pode não voltar por inúmeros motivos e você não tem controle sobre isso.

Por isso faça o seu melhor, seja influência positiva e solte. Cada um tem o seu tempo, a sua jornada.

Lembre-se que seu trabalho não é sobre ser reconhecida pelo seu paciente, isso só vai alimentar seu ego. O seu trabalho é oferecer um atendimento nutricional de excelência e por meio da empatia, você vai prescrever um tratamento viável para aquele momento de vida que seu paciente está vivendo.

E se o seu atendimento nutricional foi de excelência e muita empatia, certamente o paciente vai se tornar um fã do seu trabalho e quando for a hora certa, ele vai voltar.

 

Bora aplicar?

 

Eu espero que tenha gostado dessa série de posts , que tenha agregado algo na sua vida ou tenha aumentando pelo menos 20% a segurança, clareza e nível de excelência da sua consulta.

Você que ainda não atua em consultório  e leu essa série, eu desejo que monte seu protocolo de atendimento com mais clareza e segurança. Que você comece muito bem!

Eu espero que até aqui você já tenha aprendido algo e já tenha colocado em prática.

Eu acredito que uma ideia, por si só, não vale de nada se ela continuar apenas no campo das ideias.  A teoria sem prática não gera transformação.

Paulo Freire diz que quando se une a prática com a teoria tem-se a práxis, que é a ação criadora e modificadora da realidade.

Eu quero somente que você se atente para o seguinte: não é o próximo curso, o próximo congresso, o próximo post que vai virar o seu jogo. Tudo isso é importante, sim, porque é onde você vai ter acesso às ideias e ao conhecimento. Mas o que vai virar o seu jogo de verdade é implementar o que aprender.

Caso não tenha lido os outros post da série, confira logo abaixo:

1º Passo /2º Passo / 3º Passo / 4º Passo / 5º Passo

Só você pode fazer isso! Faz sentido pra você?

Grande Abraço!

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