Benefícios E Riscos Da Dieta Vegetariana

Benefícios e riscos da dieta vegetariana

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira “é considerado vegetariano todo aquele que exclui de sua alimentação todos os tipos de carne, aves e peixes e seus derivados podendo ou não utilizar laticínios ou ovos. O vegetarianismo inclui o veganismo que é a prática de não utilizar produtos oriundos do reino animal para nenhum fim (alimentar, higiênico ou de vestuário)”.

Há várias motivações que levam os indivíduos a se tornarem vegetarianos incluindo questões éticas, de saúde, defesa do meio ambiente, familiares, religiosas, filosofia e não aceitação de produtos de origem animal.

Quais os benefícios e riscos da adoção deste tipo de alimentação?

Estudos destas últimas décadas têm demonstrado que, em geral, vegetarianos apresentam um risco menor de desenvolver sobrepeso/obesidade, doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, neoplasias, entre outras condições que comprometem a qualidade de vida e a longevidade.

Numa pesquisa norte americana de corte realizada por Orlich e colegas (2015) foi concluído que aqueles que consomem uma dieta vegetariana têm um risco menor de desenvolver câncer colorretal quando comparado com os participantes não vegetarianos.

Além disso, a pesquisa mostrou que quando comparados com os participantes não vegetarianos:

– Veganos tiveram um risco 16% menor de câncer colorretal;
– Lacto-vegetarianos (aqueles que também consomem leite e ovos) tinham um risco 18% menor;
– Ictovegetarianos (aqueles que também comem peixes) teve 43% menos risco;
– Semi-vegetarianos tinham um risco 8% inferior.

Os benefícios da dieta vegetariana podem estar associados a diferenças na microbiota intestinal, no qual os autores concluem que o perfil microbiótico intestinal dos veganos parece ser único em várias características, incluindo uma contagem reduzida de patobiontes (micro-organismos da microbiota capazes de causar alguma patogênese em humanos), incluindo Enterobacteriacea (família de bactérias gran-negativas, por exemplo a E. coli) e uma maior abundância de espécies protetoras, tais como Faecalibacterium prausnitzii, uma bactéria anti-inflamatória e produtora abundante de butirato.

Os veganos também parecem ter deficiência da microbiota intestinal que converte a L-carnitina em N-óxido-de-trimetilamina (TMAO), um pró-aterosclerótico. A redução dos níveis de inflamação pode ser o elemento-chave que liga a microbiota intestinal vegana com benefícios para a saúde, conforme a conclusão dos autores.

Os riscos da adoção desta dieta são mais relacionados a carências nutricionais, pois estudos apontam deficiência no consumo e na concentração sérica de alguns nutrientes, tais como:

Vitamina B12:

Apesar de a vitamina B12, antes limitada a alimentos de origem animal, ser encontrada em alimentos vegetais como fungos, algas marinhas e vegetais fermentados, não são considerados seguros, confiáveis e suficientes para suprir as necessidades e evitar carências. A macrocitose associada com a deficiência de vitamina B12 está associada à doença fatal e não fatal coronária, enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral e outros problemas circulatórios.

Ferro:
O ferro não heme encontrado em vegetais apresenta absorção menor do que o ferro heme encontrado em alimentos de origem animal.  A deficiência de ferro não difere da encontrada em indivíduos não vegetarianos, mas estudos demonstram que a deficiência de ferro, ferritina e volume corpuscular médio de hemácias é encontrada mais em vegetarianos.

Cálcio:
Estudos demonstram que a ingestão de cálcio em ovolacto vegetarianos não difere da ingestão de não vegetarianos, mas a ingestão de cálcio em veganos é menor. Da mesma forma, a densidade mineral óssea não difere entre ovolacto vegetarianos e não vegetarianos, mas em veganos é menor. O significado clínico desses achados é contraditório, alguns estudos não encontraram diferenças. Assim, em veganos seria interessante a suplementação de cálcio com vitamina D e magnésio – visto que estes dois contribuem para absorção do cálcio, o primeiro, em nível intestinal e o segundo em nível tecidual.

Como sabemos a dieta vegetariana tem muitos benefícios, porém, é importante um acompanhamento de um profissional qualificado para monitorar as condições e marcadores bioquímicos importantes no processo saúde-doença, e se necessária a realização de suplementação adequada respeitando a individualidade bioquímica do indivíduo.

Mariane Meurer

NUTRICIONISTA – CRN 10.5317

Gabriela Dors Wilke Rocha

NUTRICIONISTA – CRN 10.4719

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