Nutrição e Câncer de Mama

Nutrição e Câncer de Mama

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 25% dos casos novos a cada ano e sua incidência é maior >50 anos.

O câncer pode ser definido como uma enfermidade multicausal crônica, caracterizada pelo crescimento descontrolado de células. Seu desenvolvimento envolve alterações do DNA celular, que se acumulam com o tempo. Quando essas células lesadas escapam dos mecanismos envolvidos na proteção do organismo contra o crescimento e a disseminação de tais células, é estabelecida uma neoplasia e podem invadir tecidos e órgãos circunvizinhos ou espalhar-se para regiões mais distantes.

Existem diversos fatores de risco para o desenvolvimento da neoplasia mamária, onde se destacam fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher, como por exemplo: história familiar de câncer, consumo de álcool, tabagismo, excesso de peso, sedentarismo, maus hábitos alimentares e a idade que ainda é considerado o fator de risco mais importante. Além destes, os hormônios femininos também contribuem para a etiologia da doença.

Evidências científicas apontam para forte associação entre obesidade e risco aumentando de câncer de mama. Os indivíduos obesos têm 1,5 a 3,5 vezes mais chances para desenvolver estes cânceres quando comparados com sujeitos eutróficos.

Os prováveis mecanismos que relacionam a obesidade ao risco de câncer envolvem a resistência à insulina, a hiperinsulinemia crônica resultante, a produção aumentada de fator de crescimento semelhante à insulina (insulin-like growth fator 1, IGF-1) e biodisponibilidade aumentada de hormônios esteroides.

Pesquisas recentes sugerem que hormônios derivados do tecido adiposo e adipocinas (leptina e adiponectina) e marcadores inflamatórios, podem refletir os mecanismos ligados à tumorigênese nos indivíduos obesos.

O período pós-menopausa é marcado por alterações importantes nos hormônios sexuais, fatores de crescimento e citocinas. O tecido adiposo expressa enzimas metabolizadoras de esteroides sexuais presentes na gordura subcutânea (aromatases P450). O aumento da transcrição deste complexo enzimático promove a formação de estrogênio quase que exclusivamente a partir de precursores andorgênicos secretados pelas glândulas adrenais.

Por outro lado, a hiperinsulinemia relacionada à obesidade inibe a secreção hepática de globulinas ligadoras de hormônios sexuais (SHBG), fazendo com que haja um aumento na biodisponibilidade do estradiol previamente sintetizado e da testosterona livre. Os níveis séricos destes hormônios sexuais estão positivamente estimular a proliferação celular, inibir a apoptose e iniciar o processo de tumorigênese.

A amamentação, os hábitos saudáveis, como alimentação adequada e balanceada com a prática de atividade física e manutenção do peso corporal ideal, está associada a um menor risco de desenvolver câncer de mama.

A nutrição pode modificar o processo carcinogênico em qualquer estágio, inclusive o metabolismo carcinogênico, defesa celular e do hospedeiro, diferenciação celular e crescimento do tumor.

A terapia nutricional entra com o papel de minimizar os efeitos colaterais, prevenir e tratar a desnutrição, garantindo a oferta adequada de nutrientes para minimizar o catabolismo proteico e a perda nitrogenada; manter a atividade do sistema imune; melhorar a qualidade de vida; reduzir o número de complicações provenientes dos tratamentos e prevenir as suas possíveis interrupções.

Há um efeito protetor no consumo de verduras e frutas, pois nelas contem grande número de agentes potencialmente anticancerígenos com mecanismos complementares. As carnes vermelhas, especialmente as processadas estão vinculadas a causas de cânceres. Os cereais com alto teor de fibras são associados o menor risco de câncer.

Estudos mostrou que o consumo do ômega 3 induziu a redução de tumores mamários, aumento de 60% os níveis plasmáticos da proteína supressora de tumores, além de melhorar a eficácia dos fármacos que são utilizados para inibir o crescimento tumoral.

Ao longo da última década, existiu uma grande preocupação em relação aos efeitos da ingestão de soja em indivíduos com diagnóstico de câncer de mama com isso, a decisão de introduzir ou não deve ser baseada nas considerações que permeiam a nutrição funcional como respeito à individualidade biológica, caráter potencialmente alergênico deste alimento e possibilidade de contaminação com resíduos e pesticidas e outros contaminantes.

Sobre os alimentos com possível poder protetor, podemos citar as brássicas. Os produtos de hidrólise dos glicosinolatos presentes nas brássicas, podem atual na prevenção do câncer por meio de indução de vias de eliminação de metabólitos carcinogênicos antes que eles possam danificar o DNA, ou por meio de alteração de vias de sinalização, prevenindo a transformação de células saudáveis em carcinogênicas.

Um estudo caso-controle avaliando cânceres de cavidade oral, esôfago, estômago, colorretal, fígado, pâncreas, laringe, mama, endométrio, ovário, próstata e rins, revelou que o consumo de vegetais brássicos pelo menos uma vez na semana teve efeito protetor em comparação ao consumo nulo ou inferior a uma vez por semana. O efeito foi benéfico para câncer de trato digestório superior, colorretal, mama e rins.

Mariane Meurer

NUTRICIONISTA – CRN 10.5317

Gabriela Dors Wilke Rocha

NUTRICIONISTA – CRN 10.4719

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