Nutrição e Gestação

Nutrição e Gestação

O período gestacional é constituído por 40 semanas, sendo heterogêneo em seus aspectos fisiológicos, metabólicos e nutricionais. O primeiro trimestre gestacional caracteriza-se por grandes modificações biológicas devidas à intensa divisão celular que ocorre nesse período.

A saúde do embrião vai depender da condição nutricional da mãe antes da concepção, não apenas quanto às reservas energéticas, mas também quanto às reservas de vitaminas, minerais e oligoelementos, no ganho de peso adequado, fator emocional e o estilo de vida.

Durante a gestação ocorrem várias adaptações fisiológicas que afetam o sistema orgânico materno e as vias metabólicas. Por esse motivo, os parâmetros laboratoriais plasmáticos, e urinários apresentam-se alterados em relação aos de mulheres não grávidas, principalmente nos dois últimos trimestres.

A anamnese nutricional da gestante inclui avaliação antropométrica, alimentar, bioquímica e clínica. O diagnóstico nutricional abrange a análise conjunta de todos esses aspectos e a adequada interpretação dos resultados depende inteiramente do profissional, que, no seu processo de avaliação, deve utilizar as diretrizes recomendadas como meio e não como fim.

Quanto às recomendações energéticas da gestante, no primeiro trimestre a gestante deve manter sua ingestão energética semelhante ao período pré-gestacional. Entretanto, sintomas comuns durante esse período, tais como enjoo e vômitos limitam a capacidade de manter a ingestão energética elevada.

Deve-se ter atenção às gestantes durante o último trimestre que necessitam de repouso absoluto ou estão internadas, as mesmas devem receber orientação para consumirem a quantidade de energia necessária ao seu metabolismo basal, considerando-se o seu peso real.

A ingestão proteica no primeiro trimestre é de 0,6g chegando à 6,1g no terceiro trimestre. Sabe-se, porém que o aproveitamento da proteína ingerida não é de 100%, sendo assim, a recomendação é de 10g diários adicionais.

Com relação aos micronutrientes, as modificações hormonais presentes na gestação promovem ajustes no metabolismo de cálcio, incluindo aumento na taxa de utilização pelos ossos, diminuição do processo de reabsorção óssea e aumento na absorção intestinal. Esses ajustes possibilitam aumentar o aproveitamento do cálcio ingerido durante esse período. O valor recomendado é de 1.000mg/dia dos 19 aos 50 anos e 1.300mg/dia dos 14 aos 18 anos

Durante as 40 semanas de gestação o feto acumula 30g de cálcio sendo a maior parte obtida no último trimestre, onde cerca de 300mg/dia são transportados para o feto pela circulação placentária.

As necessidades de folato aumentam substancialmente durante a gestação, porque ele é precursor de vários e importantes co-fatores enzimáticos. As recomendações para gestantes são de 600mcg/dia.

O ferro possui maior requerimento no final da gestação. Porque nesse período o feto adquiri a maior parte das suas reservas que atingem o valor aproximado de 340mg ao nascimento. O valor recomendado é 27mg/dia no segundo e terceiro trimestre.

A vitamina A possui recomendação de 770mcg/dia. A função antioxidante da vitamina A é de grande importância ao nascimento, período o qual o recém-nascido produz grande quantidade de radicais livres em resposta à exposição a elevadas concentrações de oxigênio. Não podendo ultrapassar nos primeiros meses a dose de 25.000UI, pois é tóxico.

A deficiência de vitamina D durante a gestação reflete no ganho de peso insuficiente; além disso, em situações extremas tal deficiência reduz a mineralização óssea e aumenta o risco de fraturas. A RDA é de 600UI.

Deve-se ter atenção também às patologias que podem ocorrer como é o caso da diabetes gestacional o qual se caracteriza pela intolerância à glicose, geralmente sendo revertida pós-parto, mas com possibilidade de persistir após o nascimento. Ela representa uma das principais causas de morbimortalidade materna e fetal, por isso deve-se fazer assistência pré-natal para identificar os fatores de risco e assim prevenir complicações futuras.

O estado nutricional da mulher no período pré-gravídico e gestacional está diretamente relacionado à ocorrência de desfechos adversos perinatais. O apoio de uma equipe multidisciplinar no pré-natal, enfatizando o acompanhamento nutricional, é de fundamental importância em todas as gestantes, principalmente nas que possuem DMG, garantindo uma intervenção apropriada por atuar no controle glicêmico e no ganho de peso adequado.

Um estudo publicado em 2014 pela Revista Brasileira de Promoção de Saúde o estado nutricional pré-gravídico inadequado, como sobrepeso e obesidade, e o ganho de peso superior ao recomendado na gestação são fatores que influenciam positivamente na dificuldade de se obter o controle glicêmico ideal da gestante com diabetes, o que mostra a importância da terapia nutricional desde o pré-natal.

Mariane Meurer

NUTRICIONISTA – CRN 10.5317

Gabriela Dors Wilke Rocha

NUTRICIONISTA – CRN 10.4719

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