Nutrigenômica

Nutrigenômica

O que é Nutrigenômica

O genótipo, que representa todos os genes de um indivíduo, mais a ação do meio ambiente, é o fenótipo. O meio pode mudar ao longo do tempo. Assim, a sua ação sobre os genes também muda, resultando numa alteração do fenótipo, conhecido como a variabilidade genotípica e fenotípica. A nutrigenômica é o estudo destas alterações aplicada a nutrição.

O impacto ambiental pode ser externo e/ou interno; o efeito externo é determinado pela temperatura, quantidade de luz, umidade, quantidade de gases de efeito estufa, pressão atmosférica, entre outros. O efeito interno é determinado principalmente pela dieta. A dieta tem efeitos diferentes em diferentes indivíduos e o estudo destes efeitos conduziu ao desenvolvimento da ciência aplicada a nutrição conhecida por “nutrigenômica”.

Nutrigenômica

A Nutrigenômica envolve a compreensão de como os componentes alimentares afetam a expressão de genes. E nos permite melhor compreensão de como a nutrição influencia as vias metabólicas e o controle homeostático. A Nutrigenética é a compreensão de como genes respondem frente uma dieta especial, tendo em conta a variação da população e, especialmente individual. Neste ponto, levando em conta o papel que o polimorfismo de nucleotídeo único e os efeitos epigenéticos em segundo lugar, o que certamente influenciará em todos os níveis, ou seja, transcriptômica, proteômica e metabolômica.

Obesidade

Em relação aos nutrientes regularem a expressão gênica, os ácidos graxos podem exercer um efeito de regulação através do NF-kB. O EPA modula diferencialmente a adipogênese e reduz o tamanho da gota de gordura nos adipócitos, devido à diminuição da expressão de PPARγ e um aumento da expressão do gene da enzima lipase, o que acelera mobilização de triglicerídeos de adipócitos.

A deposição de gordura é acompanhada pelo aumento de biomarcadores para a inflamação e estresse oxidativo, que por sua vez podem afetar a função do tecido adiposo. O que pode ser útil para identificar risco a obesidade, ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes.

Estes biomarcadores interagem com fatores de risco que podem se desenvolver mais tarde, levando a manifestações de doenças cardiovasculares. Assim, os biomarcadores são ECA, PADR, CRP, C3, GPx, HDL, IL-6, IL-18 LDL, oxLDL, PAI-1, PPAR-γ, O TNF-α , VCAM.

Desordens cardiovasculares

Os ácidos graxos essenciais e os polifenois são moduladores do metabolismo lipídico.

Inúmeros trabalhos de pesquisa a respeito da interação entre ácidos graxos e genes avaliam a família de PPAR (PPARα, PPARβ e PPARγ), os quais são ativados por ácidos graxos de cadeia longa, com destaque para PPARα. A PPARα regula genes envolvidos no metabolismo de lipídeos e glicose, bem como no desencadeamento da aterosclerose, e são responsivos a ácidos graxos de cadeia longa poli-insaturados, de modo especial aos ácidos graxos essenciais.

Nutrigenômica e Diabetes

Os polimorfismos genéticos associados ao diabetes DMT2 incluem genes que participam dos metabolismos bioquímicos, regulatórios e sinais de transdução do DNA, sendo capazes de produzir fenótipos associados com essa doença. A via que liga a obesidade e resistência à insulina com a síndrome metabólica e DMT2 representa um fenótipo progressivo.

A presença do polimorfismo de TNF-α -308 G/A foram associadas a uma resposta mais favorável ao metabolismo da glicose após intervenção no estilo de vida apesar de mudar de maneira não significativa a adiposidade.

A literatura descreve que certas variantes do gene da proteína associada à obesidade e ao tecido adiposo (FTO) parecem estar correlacionadas com a obesidade em seres humanos. Um estudo, publicado em 2009, mostrou que os indivíduos com a variante FTO rs9939609 portadores do alelo A e dieta LF parecem ter um menor risco de abandono da intervenção.

Nutrigenômica

Nutrigenômica e Câncer

Estudos de prevenção do câncer têm mostrado que todas as principais vias de sinalização desreguladas em diferentes tipos de câncer são afetadas por nutrientes. As vias estudadas incluem: metabolismo carcinogênico, reparo de DNA, proliferação celular/ apoptose, diferenciação, inflamação, desequilíbrio da razão oxidante/antioxidante e angiogênese.

Até o momento, mais de 1000 diferentes tipos de fitoquímicos foram identificados com atividades de prevenção de câncer. Com base em estudos epidemiológicos, as dietas ricas em frutas e vegetais podem oferecer proteção contra o desenvolvimento de câncer.

Componentes bioativos presentes nestes alimentos podem prevenir a carcinogênese por vários mecanismos, tais como bloqueio de ativação metabólica e do aumento de desintoxicação. Estudos in vitro e modelos pré-clínicos têm demonstrado que muitos constituintes de alimentos de origem vegetal como os flavonoides, quercetina, rutina e genisteína, fenois, curcumina, epigalocatequina-3-galato e resveratrol, isotiocianatos, compostos de alil, enxofre, indois e selênio, podem modular enzimas de desintoxicação.

Conclui-se, portanto, que componentes alimentares bioativos podem afetar eventos celulares e moleculares que são importantes na prevenção do câncer. Em um futuro próximo os estudos de componentes dietéticos, utilizando sistemas modelo de tecido / célula, podem ajudar a ter uma melhor compreensão das inter-relações entre nutrigenética, epigenômica nutricional, transcriptômica nutricional, proteômica e metabolômica.

Mariane Meurer

NUTRICIONISTA – CRN 10.5317

Gabriela Dors Wilke Rocha

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