overtraining

Overtraining

Afinal, o que é Overtraining?

Síndrome de overtraining (OVT) foi descrita como fadiga crônica e cansaço, onde ocorre um desequilíbrio entre a treino/competição, contra a recuperação. Treinar sozinho raramente é a causa primária. Na maioria dos casos, a quantidade total de estresse sobre o atleta excede a sua capacidade de lidar com isso. Um evento estressante desencadeante, juntamente com uma síndrome OVT crônica, conduz o atleta para o desenvolvimento de sintomas da síndrome de OVT. Esta, por sua vez, é muito pior do que OVT clássico. Dessa forma, treinar excessivamente pode ser parte de um treino saudável, apenas se feito por um curto período de tempo. A síndrome do OVT crônica é o que leva a problemas de saúde graves, incluindo insuficiência adrenal.

Diagnóstico de Overtraining

O diagnóstico de overtraining seria fácil se houvesse um biomarcador adequado disponível, mas infelizmente não existe nenhum capaz de diagnosticar as disfunções causadas pelo overtraining. Enquanto o diagnóstico preciso não pode ser realizado, existem poucos marcadores que podem ser considerados em atletas.

Overtraining trata-se de uma síndrome multifatorial, descrita como uma combinação de sinais e sintomas que normalmente causa fadiga mental e física, a qual ocasiona prejuízo no desempenho. A sintomatologia do OVT abrange alterações fisiológicas, psicológicas, imunológicas e bioquímicas referidas em diversas modalidades esportivas que se apresentam isoladas ou agrupadas de acordo com cada indivíduo.

Entre as patologias envolvidas, podem-se citar a hiper-reatividade à asma brônquica, distúrbios da tireoide, transtornos de humos, doença adrenal, diabetes mellitus, deficiência de ferro, infecções, desnutrição, doenças oncológicas, reumatológicas, renais ou hepáticas, entre outras.

Tipos de Overtraining

Segundo Rogero e Tirapegui (2003), existem dois tipos distintos de OVT: simpática e parassimpática. A síndrome simpática provoca o aumento da atividade simpática em repouso (frequência cardíaca e pressão arterial). Porém a síndrome parassimpática gera a diminuição da atividade simpática e predomínio da atividade parassimpática em repouso e durante o exercício (regulando e estabilizando).

Uma sessão aguda de exercício, como é o caso do OVT, dependendo do tipo, intensidade e duração, provoca lesão do tecido, provocando uma inflamação local e sistêmica com liberação de citocinas pró e anti-inflamatórias, enquanto que a atividade física regular parece atenuar a resposta inflamatória que promove um ambiente anti-inflamatório no organismo.

Muitas alterações na função das células do sistema imunológico têm sido notadas. Entre essas, podemos citar: supressão da função neutrofílica, supressão da quantidade e proliferação de linfócitos. Além disso, há ainda: supressão da quantidade e atividade das células NK, modificação na funcionalidade de células polimorfonucleares. Além da diminuição de imunoglobulinas sérica, nasal e salivar. Outras mudanças em fatores relacionados à imunossupressão, como hormônios relacionados a estresse e citocinas, também são relatados, apesar de nem todos os autores concordarem que estas alterações são detectáveis no OVT e/ou representem relevantes alterações associadas à imunossupressão.

Estudos a Respeito

Um estudo publicado em 2014 pela Iranian Journal of Basic Medical Sciences, onde foram analisados ratos wistar macho, os quais foram divididos em grupo controle sedentários (C), moderadamente treinados (MT), overtraining (OT) e recuperado overtraining (RO). Após as sessões de treinamento, foram coletadas as concentrações plasmáticas de TNF, IL-6, IL-10, IL-4 e IFN. Como resultado foi observado que as concentrações de IL-6, TNFa e IL-10 aumentada em OT e grupos OR em comparação com o controle. O nível sérico de IL-4 diminuiu, mas o IFN aumentou no grupo de MT em comparação com o grupo controle.

Além disso, os níveis circulatórios de TNFa, IL-6, IL-10 e IL-4 foram superiores, mas as concentrações de IFN foram menores nos grupos OR e OT que do eu no grupo MT. A razão E / IL4 IFN-γ foi significativamente aumentada em MT, enquanto que diminuiu em grupo OT. Não houve diferenças estatísticas em TNF, IL-6 e níveis de IFN entre diferentes intervalos de tempo após o exercício entre os grupos MT, OT e OR. Pode-se concluir que os exercícios prolongados e o overtraining causam inúmeras mudanças na imunidade o que possivelmente reflete o estresse fisiológico e imunossupressão.

overtraining

A Importância da Nutrição no Tratamento do Overtraining

Conhecendo a importância da nutrição, faz-se necessário uma alimentação saudável e balanceada para praticantes de atividades físicas. Uma alimentação saudável fornece todos os nutrientes para o fortalecimento do sistema imunológico. Além disso, nutrientes como zinco, glutamina, beta-glucanas, entre outros podem auxiliar nesse processo!

O exercício físico vigoroso, bem como programas de treinamento exaustivos podem levar a depleção de glutamina devido a síntese reduzida e absorção aumentada pelo fígado e células do sistema imunológico. Evidências sugerem que a depleção de glutamina pós-exercício está associada com imunodepressão.

Depois do exercício, uma disponibilidade de glutamina reduzida pode ser considerada como um marcador de excesso de treinamento. Maior disponibilidade de glutamina pode contribuir para a diminuição da inflamação e benefícios para a saúde associados com o treinamento ideal. Assim, a suplementação de glutamina pode aumentar a imunocompetencia após o exercício extenuante.

O uso de marcadores específicos para o diagnóstico do overtraining, como ureia, eletrólitos, atividades de enzimas musculares, hemoglobina, albumina, globulina, ferro e ferritina, permanence em discussão.

Aspectos fisiológicos, bioquímicos, imunológicos e nutricionais devem ser monitorados de forma complementar. A compreensão do processo imunológico, e as implicações nutricionais sobre essa resposta imume é importante para entender o processo da síndrome do overtraining e melhorar ou minimizear seus impactos ao longo prazo.

Mariane Meurer

NUTRICIONISTA – CRN 10.5317

Gabriela Dors Wilke Rocha

NUTRICIONISTA – CRN 10.4719

 

Outros Artigos Relacionados

Hipertrofia Muscular

Suplementação Alimentar

Artigos relacionados