Princípios do Comer Intuitivo

 

Princípios do Comer Intuitivo

O comer intuitivo apresenta uma série de benefícios e associações compatíveis com IMC e saúde psicológica. Ele pode ser divido em 10 passos:

1.Rejeitar a mentalidade de dieta.

Troca a rigidez da dieta pela flexibilidade, a culpa da dieta por prazer e satisfação e propõe que os indivíduos sejam responsáveis por sua alimentação de forma flexível e harmônica, e não rígida e controladora; pois seguir regras impostas por outros não se sustenta em longo prazo.

2.Honrar a fome.

Para honrar a fome, é preciso ter horários padronizados e perceber os sinais de fome (perda de energia, desatenção, dor de cabeça, “ronco na barriga”).
Onde comer a cada três ou quatro horas pode ser importante, mesmo quando a pessoa refere não sentir os sinais de fome. De qualquer forma, as pessoas são diferentes em suas sensações, por isso recomendações de horários não devem ser “exatas” ou “rígidas”.

3.Fazer as pazes com a comida.

Um dos pilares centrais e um passo essencial do CI é a permissão incondicional para comer, algo muitas vezes mal compreendido, pelos indivíduos e também pelos profissionais da área da saúde. Nesse sentido, a permissão incondicional para comer deve considerar o que realmente a pessoa gosta de comer em vez de ficar comendo algo que não gosta por ser “dieta”.

4.Desafiar o policial alimentar.

Esse princípio sugere que algumas pessoas funcionam como se houvesse sempre um policial de plantão avaliando se as “regras” determinadas pela mentalidade de dieta estão ou não sendo cumpridas. Outra questão é o policial externo – amigos, família e profissionais de saúde que atuam como juízes para garantir o cumprimento das “leis”. O objetivo é passar por cima disso e poder comer sem culpa.

5.Sentir saciedade.

Sentir a saciedade envolve aprender a escutar os sinais internos do corpo de que a fome já foi atendida e entender o que é estar confortavelmente saciado. Os sinais só podem ser percebidos quando se permite comer de maneira incondicional, e também quando a fome é honrada. Pausas e questionamentos ao longo da refeição também são importantes para avaliar essa sensação.

6.Descobrir o fator de satisfação.

A importância de descobrir a satisfação, é que quando ela é considerada (e satisfeita), come-se menos. Para tanto, é fundamental identificar “o que” realmente se quer comer, prestando atenção nas sensações que a comida desperta – sabor, textura, aroma, aparência, temperatura, volume – e pensar na sensação corporal que uma comida pode provocar, de boa (sentir-se pleno e feliz) a ruim (sentir-se estufado).

7.Lidar com as emoções sem usar comida.

O estado emocional influencia o desejo de comer de diferentes formas: alguns comem menos, outros sentem um desejo exagerado de comer. É preciso, portanto, aprender a encontrar uma maneira de se confortar, nutrir, distrair e resolver questões sem usar a comida. Pois a comida não “conserta” nem “resolve” esses sentimentos, pode apenas distrair, anestesiar ou mudar o foco. Mas, no fim, até piora o problema.

8.Respeitar o seu corpo.

Imagem corporal é definida como a figura que temos em nossas mentes do tamanho e forma dos nossos corpos, mas não é apenas como um indivíduo se vê; o conceito envolve ainda os sentimentos associados a tais características e às partes que constituem nosso corpo – ou seja, o que uma pessoa sente, pensa e faz pelo seu corpo.
Respeitar o corpo começa com o fato de aceitar a genética e aprender a abandonar a ideia de que o corpo é maleável. Com isso, é preciso apreciar as partes do corpo de que gosta em vez de evidenciar as de que não gosta; aceitar o tipo corporal e buscar um peso equilibrado.

9.Exercitar-se – sentindo a diferença.

O foco do exercício físico deve ser como fonte de bem-estar corporal e não para queimar calorias. Para isso, é preciso buscar atividade prazerosa, incluindo as formais e também as não formais (como para o carro mais longe, subir escada, fazer faxina, etc.). De qualquer forma, a prática de atividade física deve ser considerada uma prioridade não negociável, ou seja, deve-se dar prioridade para sua prática.

10.Honrar a saúde – praticar uma “nutrição gentil”.

A proposta é que as escolhas sejam feitas de forma a honrar a saúde e o paladar, fazendo com que as pessoas se sintam bem. Isso é o que as autoras chamam de “nutrição gentil”. Na nutrição comportamental, gostamos muito deste adendo: praticar a nutrição gentil é exatamente o contrário do “nutricionismo”, da nutrição terrorista, do nutricionista policial. Sim, nós honramos e respeitamos as diretrizes nutricionais e queremos que nossos pacientes sejam saudáveis, mas entendemos que saúde como o bem-estar não apenas físico, mas também emocional e social.

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