Produtos da Glicação Avançada

Produtos de Glicação Avançada (AGES) e Diabetes

Produtos de Glicação Avançada (AGES) e Diabetes

Os últimos Produtos da Glicação Avançada (AGEs) constituem grande variedade de substâncias formadas a partir de interações amino carbonilo. De natureza não-enzimática, entre açúcares redutores ou lipídeos oxidados e proteínas, aminofosfolipídeos ou ácidos nucleicos.

Existe a via clássica da reação de Maillard, também denominada glicação que dá origem aos produtos avançados da reação de Maillard – AGEs;

Além disso, existe a formação de AGEs in vivo que induzem a formação de AGEs por meio da oxidação de aminoácidos.

Os mecanismos alternativos de formação de AGEs incluem a chamada via do “estresse carbonílico”, na qual a oxidação de lipídeos ou de açúcares gera compostos dicarbonílicos intermediários altamente reativos.

Produtos da Glicação Avançada

Os AGEs formados a partir da oxidação de açúcares ou de lipídeos podem também ser denominados, respectivamente, produtos da glicoxidação ou da lipoxidação avançada. No entanto, deve-se ressaltar que, durante algumas das reações que levam à formação de AGEs, espécies reativas do oxigênio (ROS) são geradas e concorrem paralelamente com o estresse oxidativo e com os danos estruturais e funcionais às macromoléculas.

Os efeitos patológicos dos AGEs estão relacionados à capacidade destes compostos de modificar as propriedades químicas e funcionais das mais diversas estruturas biológicas. Por meio da geração de radicais livres, da formação de ligações cruzadas com proteínas ou de interações com receptores celulares, os AGEs promovem, respectivamente, estresse oxidativo, alterações morfofuncionais e aumento da expressão de mediadores inflamatórios. A contribuição dos AGEs para o desenvolvimento e a progressão das complicações diabéticas encontra-se bem evidenciada na literatura.

Formação dos AGEs

A formação de AGEs ocorre vagarosamente sob condições fisiológicas. No entanto, sob condições de hiperglicemia ou estresse oxidativo, a geração de AGEs aumenta intensamente. Os portadores de diabetes apresentam concentrações séricas de AGEs significativamente mais altas que os indivíduos não-diabéticos. A mensuração da hemoglobina glicosilada (HbA1C), variante de hemoglobina que carrega um produto da Amadori em sua cadeia β, reflete a ocorrência de hiperglicemias nos últimos três meses e, indiretamente, de glicação avançada. A HbA1C é importante marcador biomolecular e a sua determinação é considerada, até o presente, o indicador mais confiável de progressão do diabetes.

A formação de AGEs é predominantemente endógena, mas esses produtos podem ser introduzidos no organismo por fontes exógenas, como o fumo e a dieta. A dieta é considerada a principal fonte exógena de AGEs e pode exercer importante influência no desenvolvimento de diversos quadros patológicos, especialmente do diabetes.

A formação de AGEs nos alimentos é potencializada por métodos de preparo que utilizam altas temperaturas e baixa umidade (fritar, assar ou grelhar), sendo os alimentos ricos em lipídeos os principais contribuintes do conteúdo dietético de AGEs.

O fumo é também considerado importante fonte exógena de AGEs. Durante a combustão do tabaco, espécies reativas de AGEs são volatilizadas, absorvidas pelos pulmões e podem interagir com proteínas séricas.

O organismo possui mecanismos de defesa contra o acúmulo degenerativo de AGEs. Ademais, os sistemas enzimáticos capazes de influenciar o pool endógeno de AGEs incluem a aldeído redutase e a aldose redutase, eficientes na detoxificação de intermediários dicarbonílicos reativos. Além disso, os sistemas enzimáticos glioxilase I e II, a frutosamina-3-cinase e a frutosamina oxidase (amadoriase) são também responsáveis por interromper reações de glicação em diferentes estágios.

Produtos de Glicação Avançada (AGES) e Diabetes

Os Produtos da Glicação Avançada podem danificar as células por três mecanismos básicos. O primeiro é a modificação de estruturas intracelulares, incluindo aquelas envolvidas com a transcrição gênica. O segundo mecanismo é a interação de AGEs com proteínas da matriz extracelular modificando a sinalização entre as moléculas da matriz e a célula, gerando disfunção. Já o terceiro mecanismo se refere à modificação de proteínas ou lipídeos sanguíneos; as proteínas e os lipídeos circulantes modificados por AGEs podem, então, ligar-se a receptores específicos, causando a produção de citocinas inflamatórias e fatores de crescimento, que, por sua vez, contribuem para a patologia vascular do diabetes.

Além disso, os Produtos da Glicação Avançada contribuem de maneira clara e relevante para o surgimento e a progressão das complicações do diabetes, representando alvo promissor para intervenções terapêuticas. Uma variedade de agentes que apresentam propriedades anti-AGE está sendo atualmente investigada. Eles podem atuar de diversas maneiras, incluindo a diminuição da absorção de AGEs. Além da inibição da formação de produtos de Amadori, a prevenção da progressão dos produtos de Amadori a AGEs, a diminuição do estresse oxidativo. Além disso, produz a ligação e detoxificação de intermediários dicarbonílicos e a interrupção de vias bioquímicas capazes de causar impacto nos níveis de AGEs. Entre esses agentes estão medicamentos, suplementos e terapias dietéticas.

Mariane Meurer

NUTRICIONISTA – CRN 10.5317

Gabriela Dors Wilke Rocha

NUTRICIONISTA – CRN 10.4719

 

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