Parecer Técnico – Dietas Low Carb

Parecer Técnico – Dietas Low Carb

Apesar de não haver um consenso, Low carb diet (LCD) ou Dieta Restrita em Carboidratos pode ser definida como uma intervenção dietética que preconiza o consumo de carboidratos abaixo das recomendações estabelecidas pelas diretrizes nutricionais internacionais, ou seja, ≤ 44% do Valor Energético Total (VET) em carboidratos.

Muitos indivíduos com sobrepeso ou obesidade possuem risco aumentado para o desenvolvimento de doença cardíaca, havendo evidências científicas concretas de que dietas ricas em carboidratos podem levar a mudanças desfavoráveis nos fatores de risco cardiovascular, principalmente, em um contexto em que haja consumo excessivo de calorias, carboidratos refinados e adição de açúcar. Para esses indivíduos, pode ser favorável instituir uma dieta que conduza efetivamente à perda de peso ao mesmo tempo em que melhore os perfis dos fatores de risco de doenças cardíacas.

As alterações lipídicas séricas mais comumente associadas ao sobrepeso são o aumento dos triglicerídeos e redução do colesterol HDL, entretanto, coincidem com a provável melhora desses níveis após a adoção de uma LCD, mesmo na ausência de perda de peso.

Alterações na utilização da glicose, que podem evoluir para resistência à insulina e diabetes, estão associadas ao aumento do risco para o desenvolvimento do Diabetes, Doenças Cardiovasculares (DCV), Esteatose Hepática Não Alcóolica, Obesidade e Hipertensão Arterial.

Existe um apoio experimental significativo para a afirmação de que a ingestão de carboidratos deve ser reduzida em indivíduos com resistência à insulina. Ou seja, nesses indivíduos, uma dieta rica em carboidratos aumenta a suscetibilidade ao estresse em diversos receptores, resultando em níveis sanguíneos ainda mais altos de glicose e insulina. Isso, por sua vez, pode exacerbar as anormalidades lipídicas do sangue mencionadas acima e aumentar a predisposição à hipertensão arterial sistêmica.

Além da importância de perder o excesso de peso e gordura corporal – que melhora significativamente a resistência à insulina – uma menor ingestão de carboidratos pode ajudar a minimizar as flutuações anormais da glicemia e da insulina que ocorreriam com o consumo de dose excessiva de carboidratos e que, em última instância, levam a um aumento do risco de doença cardiovascular.

Apesar de dietas com baixo teor de gordura e com restrição calórica serem claramente eficazes para redução de peso corporal, a maioria dos estudos mostrou perda de peso superior nos grupos de baixo carboidrato, mesmo quando as dietas são isocalóricas, provavelmente devido ao aumento da saciedade, preferência alimentar, adesão à dieta, redução espontânea do consumo de calorias, diminuição da queda metabólica basal durante a redução ponderal.

Outro aspecto cotado para o efeito superior de dietas com restrição de carboidratos é a possível vantagem metabólica. Ou seja, devido à necessidade de fornecer glicose para os tecidos chave com uma exigência maior de glicose obrigatória (incluindo cérebro e eritrócitos), há uma taxa mais elevada de gliconeogênese. Isso provoca provavelmente um aumento do turnover de proteína para fornecer os aminoácidos necessários para a síntese de glicose. O aumento do turnover proteico pode se traduzir em aumento do gasto energético, e a vantagem metabólica poderia estar atrelada à retenção de massa magra na perda ponderal.

A LCD reduz além do peso, a gordura corporal, especialmente gordura visceral, gordura na região do tronco e relação cintura/quadril. Esse efeito na redução de gordura corporal poderia estar atrelado ao menor consumo energético, expressão de enzimas e fatores de transcrição de genes lipolíticos em detrimento dos antilipolíticos, lipogênicos ou antiadipogênicos, mediado ou não pela insulina.

A redução no consumo de carboidrato pode potencializar a biogênese e a função mitocondrial, já que há aumento da necessidade energética durante a restrição de carboidratos. Com isso, a oxidação dos ácidos graxos é mais efetiva, fazendo com que os resultados relacionados à redução do porcentual de gordura sejam expressivos.

Outro dado importante é que dietas restritas em carboidratos associadas ao um teor elevado de proteínas, particularmente de origem animal, em longo prazo, está associada ao aumento do risco de mortalidade por todas as causa e diversos tipos de câncer. Porém, as consequências metabólicas das dietas de alto teor de proteína são controversas, sendo que maioria dos especialistas concorda que a ingestão de proteínas em longo prazo não deve exceder 2g/kg de peso corporal ou 30% do total de energia por dia.

Dietas com restrição de carboidratos podem estar relacionadas a um maior consumo de gordura dietética. Dessa forma, sugere-se que, mesmo em LCD, as recomendações limites para o consumo de gordura saturada sejam mantidas em no máximo 10%, conforme diretrizes atuais.

Mariane Meurer

NUTRICIONISTA – CRN 10.5317

Gabriela Dors Wilke Rocha

NUTRICIONISTA – CRN 10.4719

Artigos relacionados